Publicado por: astromundoacs | novembro 30, 2013

O TEMPO DA ALMA E O TEMPO DO RELÓGIO

O TEMPO DA ALMA E O TEMPO DO RELÓGIO 

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Antônio Carlos Scavone

O tempo da alma ou tempo psíquico caracteriza-se pela quebra da cronologia e a instauração da simultaneidade. Uma nova sincronia liga épocas diferentes, em outra ordem, unindo-as por uma emoção, um conceito, ou uma vivência. É perceptível: vivemos, cada vez mais, um tempo correspondente à psique ou à alma do que ao relógio. Este tempo nunca é linear. Na ante-sala do séc.XX, as tendências artísticas das artes plásticas e da literatura, destruindo a figura, fixando a luz, os estados de ânimo, as impressões subjetivas e musicalizando a palavra, já apontavam nesse sentido.

No séc.XX, uma vivência mais consciente desse tempo alastrou-se. Freud com a Psicanálise, e o romancista Marcel Proust com os sete volumes de A Busca do Tempo Perdido, o demonstraram. A lógica aristotélica foi totalmente desafiada. A descoberta do Raio Laser quebrou antigas noções de espaço. O avião supersônico embaralhou o amanhã e o ontem, criando nova cronologia. Fomos saindo de um mundo concreto, estável, previsível e hierárquico, para um mundo mais abstrato, instável, imprevisível e caótico. A Internet iniciou a criação de uma outra realidade que foi tornando o planeta uma pequena aldeia (Mcluhan).

O ser humano ficou melhor preparado para vivenciar, de forma concreta, o reino do sutil, alargando o seu horizonte para uma dimensão mais anímica.  A descoberta de Plutão, no séc.XX, regeu a explosão da bomba atômica, virou ao avesso nossa noção de consciência, intensificou o mergulho na energia psíquica, conduziu a humanidade para os seus próprios ínferos. Ao passar rapidamente (1985 a 1995), por seu signo Escorpião, atraiu para nosso planeta a encarnação de muitas almas velhas, as crianças nascidas, nesse período. Instigou a humanidade a revirar todos os seus porões e trazê-los à luz, num catártico e doloroso processo de consciência. Ajudou-nos a vivenciar intensamente esse tempo da alma, no nível mais cotidiano da vida.

A descoberta do enigmático asteróide Quíron (1977) sinalizou uma ponte entre o universo concreto dos limites saturninos e o universo transcendente de Urano, Netuno e Plutão, poderosas antenas das vibrações das galáxias. Seu trânsito, cujo ciclo é de 50 anos, desperta a consciência do tempo psíquico, em cada planeta que toca e facilita nossa conexão com essa realidade sutil.

A cada 500 anos, os planetas grandes se aproximam da Terra e detonam nela significativas mudanças. Em 1500, o homem se deslumbrava descobrindo “mares nunca dantes navegados” e exóticos continentes físicos distantes. O Oceano era o caos do desconhecido. Os navegadores imaginavam a Terra quadrada, se navegassem para muito longe, temiam despencar no espaço. A dimensão era ainda muito física.

Eis que, 500 anos depois, em 2.000, a história foi diferente. A década de 90, antes da virada do milênio, mandou o recado. Os deuses (Urano e Netuno) ciceroneados por Saturno, desceram à Terra. O Muro de Berlim, já havia caído e nossos muros psicológicos foram se dissolvendo. E com eles, nossas resistências ao tempo da alma. A velocidade do tempo ficou evidente. O número de acontecimentos, descobertas e transformações de tão intensos, pareciam não caber numa década. Uma Nova Ordem chegava e antigos paradigmas de nosso cotidiano se quebravam.

No séc.XXI, tudo ficou mais explícito em relação ao tempo da alma. A infovia da Internet permitiu sincronicidades e acessos a tempos e espaços antes pensados impossíveis. A realidade virtual se adensou e ficou paralela à real. O abstrato substituindo o concreto. O espaço virtual, o físico. O dinheiro cada vez mais digital. O capital psíquico (os dons e talentos) mais reconhecido.         Através desse tempo psíquico, entenderemos melhor a dinâmica do karma. Uma alma pode levar milhares de anos, durante muitas vidas, cristalizando um karma. Porém, com o crescer da consciência, pode resgatá-lo, até num milionésimo de segundo. Assim, se uma alma, ao encontrar, hoje, um grande amor de uma vida passada, vivida no antigo Egito, pode vivenciar a mesma intensidade do sentimento amoroso, agora, como numa sequência natural, ainda que já o tenha encontrado, em vidas intermediárias, sem nada sentir. Quanto maior a abertura da consciência, mais o tempo psíquico é acelerado. Esse é o próprio tempo da alma. Nele, ela se move. Somente por ele, pode ser compreendida. Porque ele não é um tempo. É o TAO.

O significado maior de tudo isso é que a Humanidade, apesar do que a aparência da realidade nos mostra, caminha a passos firmes para uma espiritualização crescente, o que será uma tônica na Era de Aquário. Sofre ainda e paga o preço da inconsciência, expressa no seu lado mais primitivo e cruel. Seguidamente desviando-se do caminho, por puro medo do abismo do caos. Mas à medida em que se sintoniza com o Tao, integra a sua luz, que repousava na sua sombra.

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