Publicado por: astromundoacs | maio 12, 2013

SÃO FRANCISCO, O LIBRIANO DE ASSIS

SÃO FRANCISCO, O LIBRIANO DE ASSIS

                                                                                    Antonio Carlos Scavone

Hoje, já no Terceiro Milênio, com avanços tecnológicos jamais imaginados e com as perspectivas que se abrem para o ser humano e a Humanidade, o fascínio de uma figura singular permanece intacto: São Francisco de Assis.

A época em que viveu, soa-nos muito distante, mas, como gênio religioso, ultrapassou-a e eternizou-se. As obras que diversos artistas, escrito­res, intelectuais, filósofos e místicos têm-lhe dedicado ao longo dos séculos, mostram-nos, mais do que as palavras, a sua importância na Cultura Ocidental. Nem mesmo o cinema escapou desse reconhecimento.

Sua época, o século XIII, estruturava-se social e politicamente no regime feudal. Nele, havia descentralização do governo. Quem possuía terras, tinha o direito de governá-las, com autonomia e regras pró­prias. A Cavalaria era o código social e moral do feudalismo, o conjunto dos seus mais altos ideais e a expressão de suas virtudes. Na Literatura, eram comuns os roman­ces de cavalaria. E as grandes Cruzadas concre­tizavam muito dos ideais e ambições dessa época. As clas­ses comercial e industrial ocupavam lugar de desta­que, o sistema bancário deslanchava. A palavra de ordem era dinheiro e rique­za. Todo o rumo da civiliza­ção ocidental caminhava para a afirmação do ho­mem e a valorização da existência terrena.

É fácil imaginar o im­pacto que São Francisco causou dentro desta sociedade. Tanto por suas idéias, como por seu exemplo pessoal.

Personifi­cou as eternas aspira­ções de simplicidade e bon­dade, levou uma vida de glorificação da humildade e da mais absoluta pobre­za. Desde cedo, os princípios da renovação e transformação, ativos no seu Mapa Astral, na área referente aos bens terrenos mostravam a força de sua presença.

O pai negociava para acumular; o filho, para gastar. O pai reconhecia-o como um óti­mo caixa, e de fato era. A presença do planeta da ex­pansão no signo da comuni­cação e negócios, na área do trabalho, ajudava-o nes­ta tarefa. Era capaz de atrair clientes e também dinheiro.

A força uraniana do rompimento, comandando seus valores e inconforma­do com a estabilidade tau­rina herdada da família, conduziram-no a um cami­nho totalmente seu, em ter­mos de comportamento so­cial.

Por isso foi considera­do louco por seus contem­porâneos. Não podiam en­tender como alguém que era rei de sua juventude, herdeiro de invejável for­tuna, de família tão abasta­da poderia optar por uma vida de total renúncia aos bens terrenos. O princípio da dissolução e espirituali­dade impregnaram-no de uma profunda compaixão humana. A prática da cari­dade começou cedo. Com­preendeu que era funda­mental a sua caminhada.

Aos 23 anos, ainda estava iludido pela possibilidade de abrir um caminho no mundo, através da guerra e cobrir-se de glórias. Tendo o princípio da autoafirmação e vontade na área da filosofia de vida, no signo do utilitarismo, Francisco ainda confundia um pouco a forma como de­veria impor suas idéias. Deveria sim ser um guer­reiro, lutar por elas, mas de uma maneira exemplar, onde o modelo cotidiano fa­lasse mais alto. Logo aban­dona o ideal das armas, mas a têmpera de soldado nunca perde. Áries era o fundamento da sua perso­nalidade. Sua vida foi uma vida de lutas, lutou até a morte. Apenas trocou as armas e assumiu com pleni­tude o ideal cortês, na ação e na linguagem, através de sua alma de poeta.

A época em que viveu estava impregnada de um clima de amor e poesia. O trovadorismo provençal era a tônica dominante na literatura. Essa cantava, sobretudo, as flores de maio, o canto dos rouxinóis e a brisa da primavera. O grande tema, entretanto, era o amor cortês, onde a mulher era uma aspiração não correspondida, uma mulher inatingível. Esse ideal amoroso estava pro­fundamente ligado ao culto de Maria. Era, portanto, de fundo místico e religioso. E, sem dúvida, muito afim com o ideal franciscano.

O lado artístico era mui­to forte em São Francisco. Tendo o núcleo de sua indi­vidualidade e seu princípio de comunicação em Libra, era-lhe inerente o senso es­tético. Muito jovem come­çou a trovar e tocar alaúde e durante toda sua vida, o canto e a poesia foram ca­nais poderosos na sua ex­pressão ideológica. Tendo o signo da natureza regen­do a área da filosofia de vi­da, sua poesia expressa uma verdadeira comunhão com o sol, a lua e os quatro elementos: o ar, o fogo, a água e a terra. Na base de sua filosofia, a presença do signo de Peixes, dava-lhe uma profunda e imensa fé na unidade do Cosmos. E outro não poderia ser o seu caminho que não o de ligar a poesia e a mística. Den­tro da sua função social, re­gida pelo signo da harmo­nia e da beleza (Libra), ser poeta e cantor era — radi­calmente — o cotidiano do seu agir no mundo.

Nesse sentido, São Fran­cisco foi um pensador que precedeu a Era de Aquarius. Nela, os artistas serão os filósofos e usarão a Arte para veicular suas idéias. A sensibilidade para cap­tar a Natureza e os seus se­res, além da pura e simples questão fenomenológica, derivava da presença da Lua e Vênus no signo de Virgem (a raiz de terra) e na área da transcendência da matéria. Era capaz de descobrir no fenômeno, a essência das coisas; de captar a consciência cós­mica e de se comunicar di­retamente com as esferas cósmicas. O Cântico das Criaturas é a sua obra má­xima. Seus seis símbolos funda­mentais são os quatro ele­mentos e o sol e a lua. É um verdadeiro hino à unidade da criação. Expressa uma espirituali­dade que nem sempre foi muito bem compreendida no correr dos séculos. O fa­to de O Cântico ser o pri­meiro poema da literatura italiana tornou-se o objeto de estudo dos críticos e lite­ratos, desde o ano de sua composição (1225), muitas vezes em detrimento de sua mensagem maior.

Sua geminiana identifi­cação e libriana concentra­cão, no que se refere ao ou­tro, teve na figura de Cris­to, o grande modelo. Guiou- se pelos mesmos princípios de seu Mestre, repetindo muitos de seus atos, cristianizando-se. Doze eram os seus companhei­ros, como os apóstolos; as chagas de Cristo reaparece­ram no seu corpo, como es­tigmas, até mesmo o iejum de 40 dias e 40 noites foi ex­perimentado. Não só se identificava como precisa­va se transformar via o Cristo, daí sua entrega to­tal a ele. E se sentia impeli­do a transformar o outro e a trazer essa capacidade de transformação para o grupo, tendo nesta fonte sua grande alegria, trazen­do para terra seus ideais maiores.

São Francisco se consti­tui, hoje, pela Arte e Reli­gião que inspirou, um ver­dadeiro arquétipo da humanidade ocidental.

No séc.XX, na década de vinte, suas ideias tiveram um pequeno e poderoso núcleo nos Alpes Suíços, num ashram onde a bailarina Isadora Duncan, o filósofo e escritor Herman Hesse, e o fundador da Antroposofia, Rudolf Steiner vivenciavam e pregavam uma filosofia de vida que, na década de sessenta globalizou-se através dos hippies. Uma outra relação com a Natureza, o corpo, a saúde, alimentação e amamentação natural, agricultura orgânica e a integração mais profunda entre a cultura ocidental e a oriental via a prática da Yoga e da Medicina Chinesa. Foi o século quando a Ecologia se tornou uma política de Estado. E sem dúvida, São Francisco é um padroeiro dela.

No séc. XXI, a eleição de um novo Papa, vindo da periferia, e assumindo uma postura e um nome franciscano, num momento de crise da Igreja e do Romanismo, reafirmam a força desse arquétipo. Assim, os setecen­tos anos que nos separam de sua presença física, não diminuíram a força da presença de sua luz. Sem ser grego-romano, é o mito moderno de Libra, inscrito no astral de nossa civilização temo e belo, co­movente e fascinante.

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