Publicado por: astromundoacs | maio 12, 2013

A GRANDE MÃE UNIVERSAL NA MITOLOGIA

A GRANDE MÃE UNIVERSAL NA MITOLOGIA

                                                                                Antônio Carlos Scavone

 A Mãe Terra, expressão matriz do feminino, mais do que Vênus, pode ser considerada a verdadeira regente do signo de Touro, do elemento terra e signo raiz de terra. Não por acaso, é du­rante esse signo que come­moramos o Dia das Mães.

Para os antigos gregos, Gaia (A Mãe Terra), nas­ceu do Caos, a matriz do Universo. Dele também foi gerado Eros (o Amor). Ela era a base sólida de todas as coisas.

Homero, o primeiro poe­ta grego, e da Literatura Ocidental, considerado o maior poeta de todos os tempos, cantou-a em seus versos:

“Mãe de todas as coisas. Inabalável ancestral do mundo. Origem de tudo que se arrasta sobre o solo, na­da no mar, voa no ar. De ti, augusta deusa, nascem as belas crianças e os belos frutos, pois tu lhes dás ou retiras a subsistência se­gundo tua vontade. Da ri­queza que espalhas, na abundância de teu coração, o homem tira todas as coi­sas: a colheita que enche os campos e o gado robusto que lá prospera…” 

Gaia era representada pelos artistas gregos, como uma mulher gigantesca, de formas pronunciadas e seios enormes. Pela Arte Romana, como uma mulher de traços e dimensões comuns, porém sempre acompanhadas de crianças. Era festejada como símbolo universal de fecundidade e também como profetisa. Expressava, pois, a fertilidade e a intuição maternas.

Gaia (a Terra), pela for­ça de Eros (o Amor), uniu- se a Urano (Céu) e teve inicialmente doze filhos: seis homens e seis mulheres, que povoaram o mundo e iniciaram a longa e peno­sa história da humanidade. Seus primeiros filhos foram os elementos devastadores, faziam os vulcões entrarem em erupção e criavam terremotos, tem­pestades e furacões. Quan­do aprisionados pelo pai, ela os libertava. Sendo a Natureza, precisava sem­pre permitir que os fenô­menos naturais seguissem seu curso. Gaia, a Terra, é mulher, é feminino, con­cepção e recepção. Ela é a mãe nutridora comum a to­da a humanidade. Urano (Céu) é o criador, masculi­no, o ativo, o fertilizador.

Esse principio se desdo­bra em outras deusas tais como Deméter ou Ceres que regia os ciclos da natu­reza e de todos os seres vi­vos, por isso usava roupas enfeitadas com cores vi­vas. É uma deusa matriar­cal, a imagem do poder das entranhas da terra. Ela en­sinou aos homens a arte de arar, plantar e colher, e às mulheres, como moer o tri­go e fazer o pão. Deméter lembra à humanidade que a experiência da maternidade não está restrita apenas à gestação, nascimento e amamenta­ção, mas sobretudo, à ex­periência interior da Gran­de Mãe. Se ela não estiver presente dentro de nós, se­remos incapazes de gerar e dar frutos, não teremos pa­ciência e tranquilidade pa­ra esperarmos o amadure­cimento das coisas. Ela nos ensina a sabedoria da natureza que sabe o movimento dos ciclos e o processo pre­ciso do amadurecimento.

Perséfone, filha de Demeter, simboliza a imagem do elo com o misterioso mundo interior, o incons­ciente. Lá, onde o segredo do destino do indivíduo está guardado, em estado germinativo e embrionário, até que a maturação propi­cie que seja manifesto.

É a imagem da lei natu­ral operando dentro das profundezas de nossa alma e governando o desenrolar do destino a partir de um ponto invisível, que só pode ser revelado pelo sentimento, a intuição ou os sonhos. Ela represen­ta aquela parte de nós que conhece os segredos ou os sonhos. E os mistérios do mun­do interior. Significa o ritmo mis­terioso do movimento cícli­co do tempo, lembrando- nos que as sementes da mu­dança e dos novos poten­ciais estarão sob a prote­ção do silêncio do útero até que estejam maduras para se manifestarem na matéria.

De muito longe, vem im­pregnada no inconsciente coletivo, a presença da mãe como matriz da vida. Por isso ela está nos fun­damentos de nossa identi­dade. É a primeira ima­gem de mulher que conhe­cemos e guardamos dentro de nós, para sempre. Dela, vem a sensação de segu­rança, proteção, abrigo, lar, tão bem expressa na necessidade de calor que tem a espécie humana. Ela se torna o esteio da nossa busca de segurança emocional.

 

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