Publicado por: astromundoacs | setembro 26, 2012

SETEMBRO: A ARTE DE EQUILIBRAR OPOSTOS

SETEMBRO: A ARTE DE EQUILIBRAR OPOSTOS

                                                                               Antônio Carlos Scavone

Ninguém parece duvidar que Li­bra é o signo do amor. Mas este amor deve ser sempre expresso no estilo apropriado. Um ritual de amor cortez, com todos os gestos, as palavras, o perfume, as flores e as canções certas para o momento.

O seu grau de exigên­cia e perfeição é muito alto. Ideal de­mais, até ingênuo. A sua necessidade de obedecer um ritual é imensa. Mesmo um minúsculo ato tem um significado. Faz parte de um grande rito, que é sua pró­pria vida.

Sua crença em justiça e igualdade é apaixonada. E porque Libra encon­tra pouco essas qualidades no mundo, ela se sentirá infeliz.

Num mundo im­perfeito, Libra busca esse ideal em tudo e todos. Acredita que a igualdade possa funcionar na sua relação, até mesmo nas pequenas coisas, o dar e o receber precisam ser harmônicos. Sofre muita desilusão, mas não desiste. O ambiente perfeito, a companhia perfeita, a car­reira perfeita podem ser qualidades de outro planeta, mas serão sempre perse­guidas. Libra colide, enfim, com a in­justiça no mundo. E como no mito do profeta cego Terésias, e em outros mitos de cegos, a cegueira é sempre uma forma de desvelar o mistério dos deuses e de aprender mais sobre a natu­reza da verdade. A cegueira, no mito, sugere um tipo de vi­são interior, uma visão por baixo da superfície das coisas.

O universo de Li­bra é ordeiro. É equilibrado, nítido e geométrico. Funciona segundo um modelo de beleza. E nele, os deuses são sempre justos. O filósofo grego Platão era Libra ascendente e por isso seu mundo real era o mundo das idéias, enquanto o mundo da forma se constituía num sombrio, imperfeito, e danificado re­flexo daquele. Ele acreditava na justiça dos deuses.

Como Sócrates, o libriano procura a bondade, a verdade e a beleza como conceitos puros. Quer encontrá-los no mundo, nos objetos e nas pessoas. Daí a necessidade de um eterno esforço pa­ra mudar o mundo e fazê-lo um lugar mais agradável, onde tais conceitos possam encontrar expressão.

Terésias encarna também o equilí­brio entre o lado feminino e o masculi­no ou a junção deles numa coisa só: a androgenia. Hera transformou-o em mulher e ele experimentou durante sete anos a vida feminina. Daí podemos en­contrar uma iniciativa quase masculina e muito forte na mulher de Libra, vi­vendo um corpo feminino e uma na­tureza muito sensível e estética, convi­vendo com o corpo masculino do li­briano. Desta experiência que Terésias teve com os princípios opostos da na­tureza, o masculino e o feminino ou o yang e o yin, foi-lhe permitido, mesmo depois da morte manter intato seu inte­lecto e julgamento. Libra é por excelência cool. É o único signo que é representado por um objeto: a balança; os outros onze signos ou são representados por seres humanos, ou animais.

Daí a urgência de relação tão carac­terística no planeta Vênus, regente de Libra. Relacionar duas coisas não en­volve necessariamente emoção. É a ar­te de comparar, diferenciar, de tornar equilibrados e simétricos padrões dife­rentes. Mesmo que sejam incompatí­veis e mutuamente exclusivos. Por is­so, Libra precisa de um companheiro a fim de se sentir realmente confiante quanto ao objetivo que quer atingir. E ela está sempre consciente dos pon­tos de vista da outra pessoa, não quer se mostrar agressiva no seu encontro com os outros. Preocupa-se com o ou­tro e pensa na primeira pessoa do plu­ral. Incentiva o outro a expressar suas opiniões e desejos, embora possam ser diferentes dos seus. Concorda, para não desagradar e não conflituar, mas sabe tomar sua iniciativa de forma mais suave e polida do que Áries.

A lenda do príncipe troiano Páris pode ilustrar muito bem esse aspecto. Três deusas o perse­guiam, querendo conquistá-lo: Hera, deusa do casamento e do coração; Athena, deusa da sabedoria; e Afrodi­te, deusa do amor e da beleza. Cada uma delas dizia ao príncipe que deveria ser a escolhida porque era a mais bela e em troca prometiam a ele os dotes específicos de sua natureza. No entan­to, ele escolheu Helena.

Libra, no fim, escolhe a beleza, mais rapida­mente do que as outras virtudes, muito menos sedutoras para ela.

Esse lado “ariano” de Libra, tam­bém pode ser percebido no fato da his­tória humana nos mostrar tantos gene­rais e comandantes famosos desse sig­no, quando nossa lógica cartesiana po­deria imaginá-los no seu oposto: Áries. Veja-se Alexandre, o Grande. Era um libriano idealista ao extremo.  Acredita­va ser possível unir e misturar povos tão diferentes do mundo antigo, como gregos, persas e hindus, cada qual com seus costumes e religiões, numa convi­vência pacífica. Assim, incentivou os casa­mentos entre eles. Suas táticas librianas estavam presentes em suas táticas militares, onde vencer não era uma questão de força bruta e sim de estraté­gia, com um exército unido harmonio­samente em torno de seu chefe.

Eis pois, aquele que parece ser o supremo dom do signo de Libra: a arte de equilibrar opostos.

 

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